20 de janeiro , 2020

Foi-se o tempo em que as bibliotecas eram apenas espaços para quem gosta de ler. Atualmente além de apresentarem arquiteturas incríveis e ambientes de tirar o fôlego, elas se tornaram pontos turísticos imperdíveis pelo mundo. São prédios estonteantes com histórias maravilhosas.

Hoje, muitas bibliotecas trazem cafeterias aos leitores, salas para workshops, espaços para estudos e muitas curiosidades fantásticas. Se você ainda não se interessa pelo assunto, é porque ainda não conheceu o lugar certo.

“Diga-me qual estilo gosta e te direis qual bibliotecas deve conhecer”. Confira nossa seleção em parceria com o Follow the Colours e escolha a sua preferida:

 

1 – Biblioteca do Mosteiro de Strahov, Praga, República Tcheca

Construída em 1722, a biblioteca do Mosteiro de Strahov conta com duas salas e possui o maior acervo do país (cerca de 250 mil livros). A biblioteca é dividida em 2 salões, o teológico e o filosófico, decorados com lindos afrescos no teto e que conservam livros e manuscritos da Idade Média, ilustrações e globos que parecem saídos de um filme, guardados durante séculos pelos monges.

Além dessas salas, há uma pequena exposição que exibe diversos animais dissecados, insetos e uma das primeiras bíblias impressas do mundo.

A visita à biblioteca do Monastério de Strahov é paga e custa 120 coroas tchecas por pessoa. Para tirar foto do local é necessário pagar uma taxa a mais (50 coroas tchecas).

Mesmo assim, adianto que vale a pena cada centavo! Se você ama conhecer bibliotecas bonitas, essa é imperdível. Ela fica perto do Castelo de Praga na colina Petřín. A vista ao sair do lugar também é inspiradora.

Infelizmente não é possível circular entre os livros pelos salões principais, então a vista (e as fotos) são da porta. O local é um pouco escuro, por isso não é possível apreciar estes detalhes de perto!

 

Livro dos Evangelhos (Strahov 860-865, século 10).

 

2 – Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, Brasil

O Real Gabinete Português de Leitura possui o maior e mais valioso acervo de obras de autores portugueses fora de Portugal. Fundada por um grupo de 43 imigrantes, a instituição surgiu para promover a cultura entre a comunidade portuguesa e garantir o nível de instrução dos imigrantes que viviam na capital do Império.

 

Fachada do Real Gabinete no centro do Rio. Imagem por José Mario Pires

 

Imagem: Wikipedia

Mais de 350 mil volumes ocupam o prédio histórico localizado na rua Luís de Camões, no centro da cidade do Rio de Janeiro. O Imperador Dom Pedro II lançou a pedra fundamental da construção do Gabinete, em 1880, e sua filha, a Princesa Isabel, o inaugurou em 1887.

Em estilo neomanuelino, o prédio foi projetado pelo arquiteto português Rafael da Silva e Castro, que desenhou a fachada inspirada no Mosteiro dos Jerônimos, de Lisboa. Tanto, que ela foi toda construída na capital portuguesa e trazida de navio para o Brasil. Evocando a epopeia camoniana, quatro estátuas fazem parte da fachada – Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, Infante D. Henrique e Vasco da Gama – que também é adornada por medalhões que retratam escritores portugueses.

 

Sala de leitura. Imagem: Wikipedia

 

O interior da biblioteca também segue o estilo da fachada, com estantes gigantes de madeira para abrigar os livros e monumentos comemorativos. O Salão de Leitura possui um monumento de prata, marfim e mármore que celebra os descobrimentos – o Altar da Pátria tem 1,7 metros de altura. O teto ostenta um lindo candelabro e uma claraboia em ferro.

No acervo estão obras clássicas como um exemplar da edição “Princeps” de Os Lusíadas de Camões (1572) e um manuscrito da comédia “Tu, Só Tu, Puro Amor”, de Machado de Assis.

 

Imagem: Wikipedia

As consultas só podem ser feitas no salão da biblioteca. Apenas os sócios do Real Gabinete podem levar livros para casa, desde que estes sejam de edições posteriores a 1950. Por serem raras, algumas obras só podem ser consultadas por especialistas e com autorização especial.

 

Em julho de 2014 a revista Times listou o Real Gabinete Português de Leitura como a 4ª biblioteca mais bonita do mundo.

 

3 – Biblioteca Pública de Nova York – NY, EUA

 

Imagem: Unsplash

Inaugurada em 1895, a biblioteca pública de Nova York possui um acervo com mais de 53 milhões de exemplares, de livros, e-books e DVDs a coleções de pesquisa de renome usadas por estudiosos de todo o mundo, guardados em um importante prédio em Manhattan. A construção chama atenção pela beleza e imponência – duas estátuas de leões fazem a guarda da escadaria da entrada principal.

Graças ao seu belo interior, a biblioteca foi plano de fundo de muitas cenas de filmes e seriados. O teto possui um afresco feito em madeira e com detalhes em ouro realmente dignos de cinema.

 

Além de valer a pena visitar a biblioteca por sua beleza, é possível utilizar computadores e internet gratuitamente. Imagem: Unsplash

 

A sala de leitura “Rose Main Reading Room” impressiona pela quantidade de livros, pelos lustres e, principalmente, pelo tamanho. São quase 24 metros de largura, 90 de comprimento e 16 metros de altura.

As coleções históricas da NYPL guardam tesouros como a carta de Columbus de 1493 anunciando sua descoberta do Novo Mundo, a carta de despedida original de George Washington e a partitura manuscrita de John Coltrane de “Lover Man”.

 

A Biblioteca pública de Nova York levou 11 anos para ser construída. Dentro do prédio pode-se admirar a bela mobília, o teto com vários afrescos e muitos detalhes em ouro, além de toda a madeira utilizada na construção. Imagem: Unsplash

 

O imponente prédio, com seu teto alto, escadarias grandiosas e corredores misteriosos. Imagem: Unsplash

 

Além de disponibilizar a maior parte de sua coleção na internet, a Biblioteca Pública de Nova York também oferece cursos gratuitos de inglês, alfabetização digital e outros. Não basta ser bonita, tem que ser útil também para a população, não é mesmo?

 

 

4 – Biblioteca de Bodleian – Oxford, Inglaterra

Inaugurada em 8 de novembro de 1602, a principal biblioteca de pesquisa de Oxford é uma das mais antigas de toda a Europa. As bibliotecas de Oxford estão entre as mais célebres do mundo, não apenas por suas coleções incomparáveis ​​de livros e manuscritos, mas também por seus edifícios, alguns dos quais permanecem em uso contínuo desde a Idade Média.

 

Câmera Radcliffe, vista da Igreja da Universidade. Imagem por Wikipedia.

 

O interior da Duke Humphrey’s Library, a sala de leitura mais antiga da Biblioteca Bodleian da Universidade de Oxford. Imagem: David Lliff

 

A Biblioteca Bodleian é a segunda em tamanho ficando atrás apenas da Biblioteca Britânica. Juntas, as Bibliotecas Bodleian possuem mais de 13 milhões de itens impressos. Aberto pela primeira vez a acadêmicos em 1602, ela incorpora uma biblioteca anterior construída pela Universidade no século XV para abrigar livros doados por Humfrey, duque de Gloucester.

A biblioteca expandiu-se lentamente no início, mas houve um impulso crescente nos últimos 150 anos para acompanhar o grande acúmulo de livros, papéis e outros materiais. Isso porque a Biblioteca Bodleiana é uma Biblioteca de Depósito Legal da Inglaterra, isto é, tudo que é publicado no país, tem uma cópia no local. Mesmo assim, o núcleo dos prédios antigos permaneceu intacto.

 

O leitor mais perspicaz levaria mais de 600 vidas para ler todos os livros do Bodleian (na proporção de um por dia). Fotografia por Vinesh Rajpaul (DPhil Astrophysics).

 

Imagem: David Lliff

Conhecidos por muitos estudiosos de Oxford simplesmente como ‘o Bod’, esses edifícios ainda são usados ​​por estudantes e acadêmicos de todo o mundo e atraem um número cada vez maior de visitantes. Hoje são mais de 12 milhões de itens e é uma das bibliotecas de grande referência mundial.

 

Você pode reconhecer as abóbadas dos ventiladores ou as janelas do chão ao teto dos filmes de Harry Potter, X-Men, A Bússola de Ouro – entre outros. Imagem: Wikipedia

Entre muitos outros manuscritos encontra-se um iluminado do Romance da Rosa do século XIII e os apontamentos manuscritos do romance O Senhor dos Anéis de J. R. R. Tolkien (século XX).

 

 

5 – OODI, Helsinki, Finlândia – a Biblioteca do Futuro

Imagem: Divulgação OOdi

 

Diferente de todas as bibliotecas citadas aqui, a Oodi é uma construção recente mas que reflete as bibliotecas do futuro. O local é uma das 37 Bibliotecas da Cidade de Helsinki. Ela complementa o centro cultural e de mídia formado pelo Helsinki Music Center, Finlandia Hall, Sanoma House e o Museu de Arte Contemporânea Kiasma. Além de biblioteca, Oodi é um espaço público urbano, não comercial, aberto a todos, que fica bem em frente ao Parlamento da cidade.

 

Imagem: Divulgação OOdi

 

A Oodi fornece conhecimento, novas habilidades, e é um local de fácil acesso para aprendizado, imersão em histórias, trabalho e relaxamento. É um espaço integrativo, um ponto de encontro vivo e funcional para moradores, visitantes e turistas.

A maioria das instalações são reservadas gratuitamente. Você pode fazer a sua exposição de arte em um dos espaços, alugar uma das salas para treinar suas habilidades musicais, participar de workshops de robótica e impressão em 3D, costurar com outros interessados, levar as crianças para brincar (há até uma sala para amamentação e parquinho indoor exclusivo para pais e crianças), fazer reuniões, relaxar nos sofás e poltronas lendo um livro, jantar ou tomar um café da biblioteca, sentir o sol bater no píer enquanto vê a cidade e escuta uma música, assistir um filme ou apenas ir ao local jogar videogame com os amigos.

O espaço tem uma coleção de 100.000 livros, revistas, jornais, partituras, filmes e jogos. A coleção de Oodi inclui livros em 17 idiomas diferentes e materiais destinados a crianças, jovens e adultos. A Oodi é uma das bibliotecas da região de Helsinki que fornece aos clientes acesso a quase 3,5 milhões de obras individuais.

A biblioteca oferece também ficção, quadrinhos e filmes sobre minorias sexuais e de gênero. Aliás, os banheiros ali são todos sem gênero. As pessoas usam o mesmo já que a Finlândia é o país número um quando falamos em igualdade entre homens e mulheres.

Além dos jornais e revistas tradicionais, também há os tablets, que você pode usar para acessar documentos provinciais digitais e milhares de documentos estrangeiros. Falar em estrangeiros, há uma seção em que os funcionários estão dispostos a ajudar quem tem dúvida sobre imigração e responder dúvidas sobre documentação migratória. É realmente o futuro, a biblioteca do século 21.

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