20 de agosto , 2019

Para lutar por participação (ou ampliação) de mercado, marcas estão investindo em novas experiências junto ao consumidor. Arquitetura de interiores é incentivo junto à Geração Z

 

 

O valor de qualquer negócio é criado na interação com o usuário, resolvendo problemas, atendendo suas necessidades, desejos e demandas, algumas das quais eles mesmos nem sabem que têm. Mas o próximo nível nessa relação de engajamento é sobre criar a melhor experiência. Dentro desse contexto, as lojas e espaços comerciais precisam estar preparados para transmitir conceitos que levem o consumidor a ter paixão pela marca e que consiga, mais do que perceber o valor agregado, sentir que pode participar de uma jornada diferente.

É isso mesmo! A arquitetura não é mais apenas sobre a melhor forma de exibir produtos ou acomodar clientes para uma refeição. É sobre criar a melhor experiência, revelar a história da marca, destacar seus valores e atributos únicos.

O tema, inclusive, foi alvo de muita discussão na NRF Big Show 2019, o maior evento do mercado do varejo mundial, realizado em Nova York (EUA). Apesar de todos os benefícios da tecnologia e mundo digital, fica evidente que não se pode pensar em vendas sem que o consumidor esteja devidamente engajado nas ideologias propostas pelas companhias.

 

 

A IMPORTÂNCIA DE GERAR EXPERIÊNCIAS

Na Ásia, onde proliferam novas redes de cafés e restaurantes, arquitetos estão se esforçando para criar experiências de destaque. Em um shopping center de Pequim (China), o escritório Nota Architect ajudou a Seesaw Coffee a criar uma “jornada”, com um refúgio natural. Para chegar ao balcão de café, os clientes devem percorrer um caminho dentro de um jardim de pedras. Folhagens e pedras cobertas de musgo se sobressaem no cascalho, enquanto flores de cerejeira pairam no teto. Decks de madeira e assentos completam o espaço atmosférico, que também se mistura a uma livraria.

A Starbuck é outra marca que constantemente amplia sua capacidade de criar experiências personalizadas em todas as lojas, garantindo a fidelidade do cliente e estimulando o crescimento dos seus negócios. Com a estratégia de criar Roasteries, estruturas teatrais e de experiência para viver a paixão pelo café, a empresa tem sido capaz de se conectar com as pessoas em um nível ainda mais pessoal.

 

 

A loja em Tóquio (Japão), inaugurada em março deste ano, também destaca o respeito pelas origens locais e busca envolvimento com o público. A unidade, projetada pelo arquiteto japonês Kengo Kuma e pela diretora de design da rede, Liz Muller, fica ao lado do rio Meguro. O local é ideal para a observação de flores de cerejeira. Toda a arquitetura é inspirada pela tradição japonesa do origami, além de incorporar elementos minimalistas. A loja também ganhou um piso inteiro dedicado ao chá, em homenagem à importância da bebida no Japão.

 

 

Gerar conexões agradáveis

É natural (ou deveria ser) que todos os profissionais se questionem sobre a sensação que seu projeto de arquitetura ou interiores promove. Contudo, quando falamos de varejo, é preciso incluir ainda uma experiência de compra agradável, emocional e que gere conexões agradáveis e imersivas com os consumidores.

Considerando o lado mais antropológico, os consumidores da Geração Z (pessoas nascidas, em média, entre meados dos anos 1990 até o início dos anos 2010), são entusiastas de experiências. Itens com edições limitadas ou exclusivas e marcas com histórias autênticas também têm maior apreço no radar desse perfil, que quer ter o problema resolvido o mais rápido possível e, mais que isso, quer do “seu” jeito.

Um dos cases de maior sucesso nessa implementação de novas experiências é a loja da Nike na 5th Avenue NYC. Ela incorpora todos os avanços digitais da marca em favor dos clientes. São 68 mil m², em seis andares, com inúmeras ativações e o aplicativo Nike+ ajuda em toda a jornada de compra, desde a inspiração de estilo de vida local e internacional, seleção e consulta de peças a finalização da compra.

 

 

Segundo a companhia, a proposta é simples: oferecer o melhor produto e as melhores experiências para a vida, integrando os mundos digital e físico para permitir que os clientes desfrutem de uma ótima experiência de compra. Inclusive, já falamos por aqui de alguns cases que combinam design e tecnologia.

Mas antes de sair projetando “soluções mirabolantes” ou gastar milhões em aparelhos tecnológicos, é preciso ter em mente que pessoas estão no centro deste movimento. Por isso, vale sempre pensar em como estabelecer conexões em um nível emocional e de representação.

 

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