18 de maio , 2021

Para integrar a diversidade LGBT+ nas organizações, é importante que a cultura e o ambiente de trabalho se abram para as diferenças

 

Crédito: Anete Lusina / Pexels

 

Os tópicos da diversidade, igualdade de gênero e combate contra a homofobia no local de trabalho (e na sociedade) ainda hoje revela tabus a serem combatidos e quebrados. Diariamente! É verdade que nas últimas duas décadas muitas empresas fizeram progressos significativos no sentido de criar locais de trabalho mais inclusivos e ações com base no respeito e na qualidade das relações.

Contudo, um dos pontos ainda sensíveis é a estigmatização e discriminação de lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e pessoas de outras orientações sexuais: LGBT+. Isto ocorre em parte pelo desconforto de muitos em considerar as diferentes possibilidades de afeto entre as pessoas. No campo corporativo ou esferas governamentais, a principal justificativa para não levar o debate adiante é que se trata de um assunto que diz respeito à intimidade de cada colaborador.

Essa discussão vai muito além de publicar posts, confeccionar produtos com a bandeira das minorias ou realizar campanhas isoladas. Mas o fato é que iniciativas como o Dia Internacional Contra a Homofobia, celebrado desde 1990 no dia 17 de maio, são importantes para que todos – Estado, sociedade e organizações – entendam que essa é uma responsabilidade conjunta. Principalmente, contra a mentalidade do preconceito.

A data, inclusive, é o reconhecimento do dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de listar a homossexualidade como um diagnóstico de doença mental. No caso da transexualidade essa revisão só ocorreu em junho de 2018. Ou seja, há muito por fazer.

 

Crédito: ILGA.org

 

A inclusão é responsabilidade de todos

De acordo com a Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexuais (ILGA), quase 3 bilhões de pessoas vivem em países onde a relação consensual entre pessoas do mesmo sexo é criminalizada. Veja mais detalhes no mapa global.

No Brasil, desde 2011 existe o reconhecimento legal dos laços familiares, e leis de proteção contra a discriminação com base na orientação sexual foram promulgadas em 2019. Por isso, a comemoração desse dia é uma ótima oportunidade para dar continuidade aos trabalhos de conscientização sobre o que ainda precisa ser feito.

 

Crédito: Steve Johnson / Pexels

 

Por que essa discussão LGBT+ é importante no local de trabalho?

Homofobia, transfobia e bifobia revelam comportamentos de repugnância, ódio e preconceito que podem causar conflitos no local de trabalho, com ações prejudiciais a indivíduos, grupos de colaboradores e, em última instância, a toda a empresa / sociedade. Infelizmente, muitos preconceitos ainda passam despercebidos nas corporações e círculo social, e acabam por criar um ambiente inseguro e pouco profissional.

Além disso, ao analisar diferentes rankings de desempenho corporativo, é notável que as empresas que respeitam a diversidade têm um desempenho melhor do que a média. Em resumo, essas companhias valorizam o talento acima de qualquer outra característica pessoal e, com isso, conseguem atrair e reter mais profissionais, além de extrair o melhor de cada colaborador.

 

Crédito: Evanto

 

Inclusão de todos, sem rótulos

Independentemente do setor em que atuamos, precisamos entender que ninguém está imune a essa discussão. Toda empresa e indivíduo devem ser proativos quando se trata de lidar com a discriminação – porque ela pode ocorrer em qualquer lugar. É importante lembrar que esse comportamento não se limita ao abuso verbal e físico direto. Formas menos gritantes, mas ainda reais e dolorosas para o público LGTB+ incluem:

  • Cyberbullying (violência praticada contra alguém, através da internet ou de outras tecnologias relacionadas ao mundo virtual).
  • Especular ou fofocar sobre o sexo ou sexualidade de alguém.
  • Excluir alguém socialmente por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero.
  • Usar frases casuais ou “piadas” depreciativas para as pessoas LGBT+.

Qualquer comportamento que faça alguém se sentir inferior devido à sua identidade pode ser visto como discriminação.

Apesar dos poucos dados oficiais disponíveis, a hostilidade homofóbica, discriminação e a ausência de políticas institucionais levam muitos colaboradores a ficarem calados ou até mesmo deixarem seus empregos. O fato é que qualquer tipo de abuso, intencional ou não, pode ter efeitos nocivos no bem-estar emocional de uma pessoa. Naturalmente, esses funcionários LGBT+ acabam por comprometer sua produtividade e podem limitar suas contribuições para a cultura do local de trabalho.

 

Crédito: Nicholas Swatz / Pexels

 

O que fazer para debater a diversidade e promover a inclusão?

Ter uma força de trabalho diversificada ajuda os colaboradores a se sentirem pertencentes, independentemente de sua raça, origem ou orientação sexual. Por isso, trabalhe para criar uma estratégia formal de Diversidade e Inclusão, e torne-a disponível para todos.

Segundo a consultoria Deloitte, ter conversas com seus funcionários individualmente ou em grupo sobre o apoio da empresa à comunidade LGBT+ pode ter um grande impacto na igualdade em sua empresa. Da mesma forma, é preciso implementar políticas que deem a todos um tratamento igual, o que inclui políticas de recrutamento e promoção.

E se você é um funcionário, procure participar de iniciativas que sua empresa administre ou apoie sobre diversidade. Evite também “piadas” ou comentários que sejam ofensivos. Por exemplo, não espalhe boatos sobre a sexualidade, voz ou em relação a vestimenta de um colega ou mesmo cliente.

Além disso, independente das suas crenças, procure respeitar colegas e clientes. Mesmo que você não goste do que alguém faz em sua vida pessoal, essa pessoa ainda tem o direito de se sentir segura e feliz no trabalho, e de viver em harmonia na sociedade. Diversidade e inclusão devem ser um compromisso permanente, no qual todos devem trabalhar diariamente.