26 de novembro , 2019

Tendências e referências podem dar um norte aos projetos, mas esse entendimento depende totalmente do repertório de quem irá fazer essa leitura

 

“Para ser diferente, é preciso consumir repertório diferente.” A fala é de Fernando Kimura, na palestra “Desejos Anônimos” durante o RD Summit, evento dedicado ao mercado de marketing e vendas. Como estamos sempre falando de tendências e projetos de interiores no blog da Todeschini, o assunto é extremamente pertinente, já que alguns dos seus principais questionamentos foram: Como ser autêntico nos dias de hoje? Como trabalhar nossas bolhas de repertório e expandi-las?

Em sua apresentação, Kimura expôs esses questionamentos acompanhado de uma reflexão: o advento da internet nos fez consumir cada vez mais as mesmas coisas que outras pessoas. Os mesmos stories, os mesmos livros e músicas, e os mesmos filmes. Ou seja, estamos vivendo em bolhas.

Trazendo essa provocação para o mercado de arquitetura e interiores.

Os seus projetos trazem algo de novo?

Quais referências e experiências individuais estão influenciando em seus projetos?

 

Romper barreiras

Explorar novos conhecimentos é essencial para desenvolver nosso repertório. É isso que garante a qualquer marca e/ou profissional as referências necessárias para gerar um projeto que agrade o seu cliente. Uma das soluções para enriquecer os roteiros está na arte. “Ela não deve ser esquecida em um processo de automatização de desejos e busca incessante por resultados”.

Afinal, a arte é livre, não impõe barreiras. Não tem certo nem errado, mas perspectivas diferentes e infinitas possibilidades de interpretação.

Logo, nosso repertório e capacidade de lançar um novo olhar para absolutamente tudo é imprescindível para se destacar ou criar emoções. No vídeo produzido pela Factory para a Flix Media, empresa que comercializa espaços publicitários no cinema, essa mensagem fica clara aos percebermos como diversos tipos de cadeiras carregam diferentes significados.

Citando quatro elementos da arte – conteúdo, forma, perspectiva e tom –, a palestra de Fernando Kimura demonstrou ainda o quanto a arte está ligada aos conceitos utilizados nos projetos de marketing e interiores. Da mesma maneira que uma marca precisa ter empatia e demonstrar que entende as pessoas, suas dores e seus desejos, os projetos de interiores precisam ser eficientes e estabelecer conexões para marcar a vida dessas pessoas.

 

Diferentes significados e para onde olhar

Quando falamos de “tendências” pode parecer que estamos apenas listando algumas coisas que vimos surgindo por aí – mas, na verdade, há um ritmo orgânico muito mais amplo sendo observado, vindo da sociedade, das ruas e casas em todo o mundo. Aqui mesmo já falamos como a consciência ambiental, valores humanos e tecnologia impulsionam as tendências de cores para 2020. Leia ou relembre o artigo aqui.

Algumas tendências vêm e vão rapidamente, outras ficam conosco por mais tempo. Contudo, é importante compreender os sinais que elas deixam, como podemos agrupar, entender e validar esses sinais. E, claro, como tudo isso se aplica na prática.

Na arquitetura, podemos fazer um rápido paralelo com a obra de Oscar Niemeyer e Lucio Costa, os gênios criadores da paisagem de Brasília (DF). Em geral, analisamos o plano piloto da cidade e seus prédios, mas a arte de Athos Bulcão também é parte dessa fusão. O artista plástico deixou sua marca em painéis e azulejos com patterns geométricos e cores vibrantes. O que pode parecer acessório, torna-se parte da essência e do equilíbrio arquitetônico. Athos deixou mais de 250 obras na capital.

Ampliando o repertório

Os arquitetos e designers de interiores costumam frequentar grandes eventos nacionais e internacionais, além de realizar viagens pessoais, e faz parte de sua vocação buscar toques esteticamente agradáveis ​​para nos inspirar em seus projetos. Mas para estourar as “bolhas” em que vivemos e quebrar o ciclo de previsibilidade, a principal dica trazida na apresentação é de que se busque o conhecimento por vias não tão óbvias e básicas.

É preciso se “despir” de preconceitos e acessar desejos anônimos. Cada um tem os seus. Seu cliente também.

Por isso, é importante sair um pouco da bolha que as redes sociais nos colocam e explorar outros pontos de vista, conversando com pessoas que possuem opiniões diferentes da sua, visitando exposições de arte e explorando a cultura de uma forma mais abrangente.

Temos também uma fonte inesgotável de conhecimento na literatura, cinema, fotografia, música, dança, moda e culinária. Nas palavras de Fernando, “nós somos um pouco daquilo que nós consumimos”.

Em resumo, temos que enxergar o mundo através do olhar do outro, inovando com novos recortes e alinhando a comunicação (e os projetos) com mais de um estilo para conversar com diferentes públicos.

“Quem tem arte, não tem roteiro pobre”.

 

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