24 de setembro , 2018

Conteúdo exclusivo por Casa de Valentina

 

O crescimento desenfreado e sem planejamento das cidades, a poluição em índices alarmantes, o desmatamento e o descaso com as espécies da nossa fauna, o desperdício e o consumo demasiado… Tudo isso têm um impacto real e, muitas vezes sem volta, sobre a Terra. É por isso que a sustentabilidade é uma pauta tão relevante para todos os setores, incluindo a arquitetura e decoração.

Pensar em um desenvolvimento mais sustentável significa levar em conta os impactos que nossas ações de hoje terão sobre as gerações futuras. Nesse sentido, a arquitetura pode exercer um papel realmente transformador, se calçando em novas tecnologias, valorizando a manufatura local e projetos de baixo impacto ecológico. O Mirante do Gavião Amazon Lodge é um ótimo exemplo de como é possível construir uma estrutura que preserve a biodiversidade do entorno e promova uma reaproximação com a natureza local.

 

 

Aberto em 2014, o hotel às margens do Rio Negro está localizado em uma região que tem um dos biomas mais preservados do nosso planeta. Os setes bangalôs que fazem parte do complexo, conectados por passarelas elevadas, foram integrados à floresta nativa de maneira simbiótica.

O projeto tem a assinatura do Atelier O’Reilly Sustainable Strategies que levou a adequação ao entorno como prioridade. Para preservar a permeabilidade do solo, as construções foram erguidas com pisos elevados, enquanto o sistema elétrico e de aquecimento de água são abastecidos por energia solar. Além disso, todos os resíduos orgânicos gerados lá vão para a composteira!

A obra em si também gerou um impacto positivo na comunidade local, que participou ativamente da construção. Os ribeirinhos foram treinados pelo mestre local na arte de utilizar a madeira para a construção de barcos, técnica que foi incorporada ao projeto e deu vida às estruturas marcante em forma de barcos invertidos.

 

A decoração dos bangalôs e das áreas de uso comum do Mirante do Gavião também valoriza o conceito de sustentabilidade ao incentivar o trabalho manual e incorporar matérias-primas locais. Com visual rústico, possibilita uma experiência única e imersiva. Aliás, o hotel é patrono e apoia a Fundação Almerinda Malaquias, ONG que produz grande parte dos objetos utilizados na decoração dos ambientes, como as cestarias, os revestimentos de fibras naturais e os móveis. O trabalho de marchetaria lindo que complementa o visual dos bangalôs é feito pelos jovens artesãos da Fundação que utilizam apenas restos de madeiras amazônicas – todas certificadas – descartadas pela indústria naval de novo Airão. Incrível, não é mesmo?