25 de junho , 2020

Com mais tempo em casa e impedidas de frequentar restaurantes,
as pessoas estão cozinhando mais e buscando alimentos que as mantenham saudáveis

 

Crédito: Pexels

 

Rotina pesada, horas em deslocamento ao trabalho e pouco acesso a alimentos in natura fazem parte do cotidiano nas cidades grandes. Com isso, temos um crescente consumo de fast food e ultraprocessados, afetando diretamente o quadro nutricional e a saúde da população. Em contrapartida, também vemos nascer um amplo mercado de alimentação saudável e temas ligados ao bem-estar – com produtos e serviços.

Nós já falamos como essa identificação de tendências que impactam e impulsionam o comportamento, valores e hábitos do consumidor é extremamente relevante para todos os mercados, incluindo o de arquitetura e interiores.

Ocorre que a necessidade do isolamento social, imposto pela Covid-19, acelerou uma série de megatendências de consumo e interrompeu outras. É claro que há diferenças marcantes entre as regiões do planeta (e mesmo no Brasil) e que precisam ser consideradas, mas os estudos elaborados pela consultoria Euromonitor International indicam pontos de atenção ainda maiores sobre o desejo de uma vida mais saudável.

E, acredite, isso impacta diretamente na forma como as cozinhas, despensas e outras áreas da casa serão concebidas de agora em diante. Como a casa se tornou o epicentro da vida e um catalisador do autocuidado, a alimentação representa um importante aspecto neste cenário.

 

Crédito: Pexels

 

Novas rotinas e alimentação saudável

A proposta de casas multifuncionais e viver conectado já estavam em ascensão na vida de muitos consumidores, mas a necessidade do isolamento, o fechamento de restaurantes e até de fronteiras impactaram diretamente na alimentação e rotinas de milhares de famílias.

Entre as consequências diretas, tivemos um maior contingente de pessoas cozinhando em casa, até mesmo em detrimento dos serviços de deliverys. Pessoas pouco familiarizadas com as panelas também se viram obrigadas a pôr a mão na massa. Afinal, esta foi uma situação sem opção. Contudo, é inegável que a comida caseira traz a ideia de autoproteção e atende perfeitamente os adeptos do slow living.

Além da maior consciência de consumo e valorização do dinheiro, essa prática permite mais ênfase na saúde e bem-estar. Em paralelo, cresceram as entregas domiciliares de vegetais, frutas e alimentos frescos, garantindo artigos de origem conhecida e valorização dos pequenos produtores / comércios locais.

 

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Defensora da comida caseira, livre de conservantes e outros químicos comuns aos ultraprocessados, a chef de cozinha Rita Lobo diz: “Para você conseguir ter uma vida plena e saudável, você precisa aprender a cozinhar”.

Aliás, centenas de chefs criaram lives, canais de podcasts e fizeram uso das mídias sociais para compartilhar receitas, apresentar seus fornecedores de alimentos e continuar próximos da sua clientela. Sim, “entrar na casa das pessoas” pode ter um sentido mais pessoal e afetivo do que simplesmente um prato de comida entregue via delivery.

 

Crédito: Pexels

 

Nossa relação com a saúde mudou

Ainda segundo estudos da Euromonitor, veremos a megatendência “Vida Saudável” ganhar terreno. Em resumo, ela é composta por três movimentos: saúde como estilo de vida, equilíbrio nutricional e saúde preventiva. “A saúde é o novo símbolo de status. A tendência por lares saudáveis, o aumento da atividade física e a melhoria do bem-estar emocional foi acelerada”.

Para a consultoria, os consumidores estão buscando produtos mais naturais à medida em que adotam um estilo de vida mais holístico. A maior preocupação com as necessidades nutricionais e escolhas alimentares também é uma forma de prevenção de doenças e de aumento da imunidade.

 

Crédito: Adobe Stock

 

Impacto nos projetos

Mesmo antes da Covid-19 atingir a economia global, consumidores de todo o mundo estavam almejando a ideia de bem-estar, recorrendo a novas tecnologias e móveis para sentir-se mais à vontade em suas casas. Abaixo, listamos pontos que podem ser relevantes neste novo cenário.

 

Novas configurações

Junto com a proposta de uma casa multifuncional, que abriga diferentes gerações e por mais tempo em casa, a gastronomia e o preparo de refeições em maior volume em casa, também podem afetar a escolha do mobiliário, eletros e acessórios que irão integrar a cozinha / área gourmet. Para rotinas diárias, esse conjunto e correto planejamento é essencial para incentivar e facilitar a preparação das refeições.

 

Layout para compartilhar responsabilidades

Uma cozinha organizada facilita a preparação individual, mas também permite a família cozinhar junto – até mesmo as crianças. Quando todos os membros da casa sabem onde estão os utensílios e podem se movimentar, fica mais fácil preparar os alimentos e compartilhar responsabilidades.

Higiene, armazenamento e compostagem

Os locais de higienização e armazenamento ganham nova importância na cozinha, assim como o resgate das hortas e vasinhos com temperos que possam compor os pratos. Uma rápida passagem por stories e vídeos neste período de isolamento também demonstra uma boa quantidade de pessoas iniciando projetos de compostagem orgânica em casa – tendência que pode se consolidar.

 

Bancada para refeições e lanches

Se não houver uma mesa de refeições, uma bancada que sirva como extensão da cozinha pode ser suficiente para reunir a família. É que independentemente do tamanho ou do estilo do ambiente, a funcionalidade é essencial.

 

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