22 de setembro , 2020

Atitudes, comportamentos e hábitos de compra dos consumidores mudaram – e muitas dessas novas formas permanecerão

 

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A pandemia do COVID-19 não acabou, mas empresas e consumidores em todo o mundo já superaram o choque inicial. As pessoas se adaptaram e a vida diária está lentamente se estabelecendo em diferentes rotinas, embora sejam muitas as incertezas. Inclusive, pode parecer desafiador imaginar o que o próximo mês trará, quanto mais o próximo ano.

Neste cenário, a familiaridade com uma série de megatendências nos ajuda a compreender alguns pontos. Urbanização, conectividade, neoecologia, personalização das experiências, saúde, mobilidade, privacidade e envelhecimento da população são movimentos já conhecidos, mas a COVID colocou o bem-estar em primeiro plano na vida das pessoas – ganhando ramificações em todos estes campos.

O vírus remodelou a indústria de bens de consumo em tempo real, acelerando rapidamente as tendências subjacentes de longo prazo no espaço de poucas semanas. Os novos hábitos formados agora irão perdurar para além desta crise, mudando permanentemente o que valorizamos, como e onde compramos e como vivemos e trabalhamos.

 

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Permanecer humano em um mundo movido pela tecnologia

Temos visto a velocidade e a escala das mudanças acelerando, com os avanços tecnológicos trazendo mudanças maiores e mais ousadas em janelas de tempo mais curtas. Mas a pandemia obrigou empresas a buscarem um viés mais humano num mundo movido pela tecnologia e conexões digitais.

Organizações que adotaram um conjunto de atributos ancorados em propósito e ações capazes de criar valor duradouro para si mesmas, sua força de trabalho e a sociedade em geral minimizaram suas perdas e, em alguns casos, apresentaram avanços. Ou seja, estamos vivendo um momento em que a capacidade de uma empresa de ser altamente empática, íntima e totalmente confiável realmente fará diferença.

 

Transparência será um ativo essencial

A experiência da pandemia tornou os consumidores mais conscientes sobre o que compram e como. Alguns estão pensando novamente sobre o impacto social e ambiental de suas escolhas. Eles querem saber onde e como os produtos são feitos e fornecidos, sobre o custo real do que compram.

Outros valorizam a saúde mais do que nunca ou desejam uma boa relação qualidade / preço sem comprometer a qualidade.

Investidores e outras partes interessadas também ficaram muito mais atentos ao comportamento de uma empresa, para saber se ele cumpre suas promessas e como ela comunica isso ao consumidor. Em todas essas áreas, garantias vagas não serão suficientes e o “cancelamento” virtual ronda profissionais e marcas, principalmente na internet.

 

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Estilos de vida minimalistas e auto sustentáveis ​

​O consumo diminuiu de forma acentuada em meio à pandemia, principalmente em função da recessão e ao desemprego histórico. Com isso, as famílias estão se engajando em um consumo mais consciente, com foco maior em compras sustentáveis ​​e essenciais. Há casos de consumidores que tiveram que mudar seus hábitos de compra por necessidade, já que suas marcas regulares simplesmente não estavam disponíveis.

Comportamentos do tipo “faça você mesmo” estão ainda mais presentes, seja cozinhar, limpar, decorar ou empreender. Tudo indica que essas mudanças continuarão de alguma forma. Em paralelo, a saúde mental entrará em foco. Isso devido a vários fatores, incluindo isolamento social, preocupações financeiras e de saúde, além do desgaste de adaptação ao trabalho remoto e à educação em casa.

 

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Vivendo e trabalhando da melhor forma

É redundante falar que o trabalho remoto veio para ficar, e muitos empregadores descobriram que podem gerenciar equipes com eficácia e reduzir despesas imobiliárias. Isso acelerou a chegada de uma tendência há muito esperada: desvincular o talento do lugar.

Mas, apesar de muitos exemplos positivos, a pandemia aumentou a jornada de trabalho, criando exaustão e esgotamento e, ao mesmo tempo, expondo o estresse que muitos trabalhadores enfrentam ao equilibrar as demandas profissionais e pessoais, pois os compromissos e funções pessoais (como ser pai ou responsável) não podiam mais ser separados do trabalho.

Por isso, corporações e profissionais liberais precisam redesenhar o trabalho em direção aos resultados em vez de às atividades. Isso pode abrir a possibilidade para que todos vivam e tenham melhor desempenho.

Nos projetos de interiores, a fusão do design residencial e comercial evidencia ainda a necessidade de se manter o mais flexível possível. Móveis, configuração e especificações técnicas precisam atender requisitos a serem incluídos em ambos os campos.

 

Consumidores com diferentes visões

A prioridade para uma proporção significativa de consumidores será gastar dentro de suas possibilidades e cuidar da saúde de sua família. Outros continuarão a ser movidos por propósito e experiência, mas relatórios de tendências sugerem que esses consumidores se tornarão muito mais comprometidos com suas “tribos”. A nutrição também é uma parte particularmente importante de nossas vidas e já abordamos o assunto neste post.

Mas há algumas questões aqui: Que tipo de necessidades e valores do consumidor as empresas tentarão atender? Quais produtos, serviços e experiências são adequados aos valores futuros?

Não podemos esquecer que essa crise também aumentou as disparidades sociais e visões políticas. Além disso, a necessidade de isolamento social também acelerou a adoção de mecanismos digitais de compra. O desafio é criar jornadas digitais seguras e que sejam consistentes e envolventes em cada etapa, da aquisição à conversão e fidelização.

 

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Como proteger nossos pais e avós?

Não é segredo que a sociedade está envelhecendo e, como megatendência, é uma preocupação de muitas nações, incluindo o Brasil. Com a pandemia, cresceram os questionamentos de como proteger os idosos e os grupos de risco, ao mesmo tempo em que criamos condições para um futuro onde todos possam conviver juntos. Apesar de muitos exemplos de solidariedade, é preciso desenvolver um senso de comunidade maior.

 

 

A globalização se tornará local

Há um forte consenso de que o COVID-19 avançará contra a globalização em meio à redução mais acentuada dos fluxos internacionais – incluindo, comércio, investimento e pessoas. Com a vulnerabilidade nas cadeias de abastecimento, podemos esperar uma reestruturação em vários mercados, impulsionando a tendência de regionalização. Ainda assim, esse cenário pode custar a eficiência ou a elevação de custos em alguns casos.

Olhando além dos efeitos imediatos da pandemia, poucos consumidores esperam voltar a seus antigos comportamentos tão rapidamente, se é que isso será possível. Como acontece com muitos dos choques que encontramos na vida, as pessoas estão dispostas a fazer uma pausa e refletir.

 

Artigo exclusivo Habitus Brasil