20 de julho , 2019

Uma característica das megatendências é a onipresença, já que mostram efeitos em todas as áreas da sociedade

 

Nós não precisamos “prever” as megatendências, porque elas já estão presentes e marcam mudanças que estão moldando e continuarão a nos moldar por um bom tempo ainda. No Brasil ou em outros países, uma megatendência abrange várias décadas e atinge diferentes setores da sociedade de forma gradual. Além disso, essas correntes de mudança estão presentes na economia, ciência, política, cultura e tecnologia, entre outros setores.

Em outras palavras, as megatendências influenciam significativamente a maneira como vivemos, trabalhamos, desfrutamos e ganhamos dinheiro.

Portanto, é natural que estejamos sempre nos questionando sobre as mudanças que caracterizam nosso presente e que conclusões podem ser tiradas disso para o futuro da economia e da sociedade.

 

Megatendências para você ficar de olho

Você é capaz de citar algumas das megatendências que estão sendo consideradas por analistas, pesquisadores e consultorias de tendências? Cultura do conhecimento, Conectividade, Urbanização, Individualização, Neo-ecologia, Conexões globais, Mindfulness, Pluralismo de gêneros, Economia criativa, Sociedade envelhecida, Mobilidade e Segurança.

É natural que uma ou outra megatendência exerça maior influência no segmento de arquitetura, interiores e mobiliário, ou mesmo que ganhe novos desdobramentos. Mas para os profissionais e indústrias que estão de olho no futuro próximo, separamos cinco megatendências particularmente importantes.

 

Individualização

 

Hoje, essa megatendência ainda é dita como fortemente egoísta. No futuro, no entanto, tende a ser cada vez mais baseada em tribos, comunidades e colaboração coletiva. Seus efeitos são complexos, produzindo aparentes contra-tendências e sugerem uma nova cultura de “nós”. As pessoas procuram e encontram relações de ressonância dentro de grupos sociais, mas isso não representa o fim da personalização de produtos, por exemplo. No fundo, a individualização significa liberdade de escolha.

Clientes autoconfiantes e capacitados valorizarão o marketing de maneira diferente no futuro. Mais marketing não aumentará automaticamente as vendas. É fato que consumidores só se tornarão clientes reais se o equilíbrio da confiança estiver correto; e as pessoas podem alternar entre grupos ou alternar padrões de consumo após diferentes eventos ou atribuições particulares de desejos e valores. Essa mudança de mentalidade também se torna referência para ações futuras de empresas e construção de interiores.

 

Sociedade envelhecida

 

Quase tudo à nossa volta é focado em novas tecnologias, e o envelhecimento da população foi sendo subestimado. No entanto, os empreendedores estão sendo aconselhados a explorar esse potencial. A “juventude”, por exemplo, passa a ser vista como uma característica de atitudes e comportamentos.

Esse público, que se tornará ainda mais aparente na próxima década, também reúne uma visão diferente de realização, crescimento e inovação. Além disso, requerem algumas particularidades nos projetos de interiores e espaços de trabalho. Mas embora o envelhecimento seja considerado um problema alarmante para algumas economias globais, pode, especialmente para as empresas, contribuir para a sua “revitalização”.

 

Conectividade

 

Todos estão conectados a tudo e a todos. Essa circunstância cria desafios tecnológicos, mas também impõe desafios sociais. A interação entre pessoas e a tecnologia, lidando com as oportunidades do Big Data e Inteligência Artificial (A.I.), é apontada como uma das megatendências mais poderosas da década de 2020. O princípio do trabalho em rede promete uma grande mudança social e abre um novo capítulo na evolução da sociedade, reprogramando códigos socioculturais e criando estilos de vida e padrões de comportamento.

Para acompanhar esta mudança, empresas e indivíduos precisam incorporar novas habilidades e uma visão macro desse cenário, capaz de gerar networking e desenvolvimento urbano inteligente. Porque além das tecnologias de comunicação digital que mudaram nossas vidas, somos moldados pelo nosso ambiente. Pensando em uma linha de produtos, em muitos casos, o cliente obtém novas possibilidades de experiência e pode até se tornar parte de inovações.

 

Urbanização

 

O planejamento urbano e a habitação devem ser reconsiderados em vista da crescente escassez de espaço nas cidades. Ao mesmo tempo, apartamentos, casas e espaços de trabalho precisam se adaptar ao fato de que estamos nos tornando cada vez mais flexíveis e que nossas necessidades mudam rapidamente. Co-working e co-living são apenas algumas das soluções para uma vida que respeita individualidades e senso de comunidade. A forma de vida familiar clássica também está em transição e dá lugar a uma variedade de conceitos, que celebram a diversidade cultural e social.

Mas as cidades são mais do que lugares e o conceito de urbanização envolve mais do que a mudança de espaços (vivos). O tamanho das megacidades – cidades com 10 milhões ou mais de habitantes – representa enormes desafios em termos de alimentação, infraestrutura, qualidade de vida e sustentabilidade. É preciso repensar produtos e ofertas.

 

Cultura do conhecimento

 

Em um mundo tão complexo, o conhecimento é fluido. Por isso, as habilidades que nos permitem ser ágeis e responder às mudanças e surpresas ganham ainda mais relevância (em nossas vidas e nas corporações). Uma sociedade de criativos digitais dá origem a estruturas descentralizadas de conhecimento e formas colaborativas vão originando inovações, serviços ou ideias de produtos para resolver problemas concretos.

O Big Data, que consiste na coleta, processamento e análise de grandes volumes de dados gerados, ganha enorme atenção e cria informações relevantes e insights sobre as necessidades humanas. A formação de contexto torna-se, portanto, competência essencial. Já no varejo ganha força o Omnichannel, modelo de negócios que permite aos clientes estar em contato constante com uma empresa através de múltiplos canais ao mesmo tempo. Independentemente de como ou onde um cliente se aproxima.

 

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