19 de maio , 2020

Nossos lares e necessidades estão em constante evolução, mas o tema “público x privado” vai exigir novas abordagens para criar espaços bonitos, funcionais e de desconexão

 

Foto: Andrea Piacquadio

 

Uma nova era, onde tudo pode ser ressignificado – nossas casas, relações pessoais, trabalho e a sociedade. Com mudanças em diferentes escalas para cada pessoa, todos nós estamos cientes de que o mundo passará por transformações. É impossível citar com propriedade todas os impactos para a arquitetura e design de interiores comercial e residencial, mas apostamos em quatro movimentos que continuarão muito presentes e tendem a ganhar novas abordagens: Bem-estar, desconexão, economia sustentável, ressignificação do home office.

 

1. Bem-estar para múltiplas gerações

Em 2017, em entrevista a veículos de impressa especializados, a designer Patricia Urquiola disse: “Design não é apenas sobre o desenho de um móvel, é sobre a forma como os espaços evoluem, como eles se conectam ao longo do tempo”. Mais atual, impossível. Está cada vez mais claro que nossos anseios estão direcionados a criar “espaços vitais”, seja para cozinhar, dormir, ter momentos de lazer ou trabalhar.

 

Foto: Pexels

 

Mas um componente que não pode passar desapercebido é a complexidade do atual cenário de consumidores. Temos cinco gerações distintas, com desejos e expectativas totalmente diferentes sobre o que é bem-estar. Temos a geração Baby Boomers (atualmente, com 60 a 80 anos), Geração X (40 a 60 anos), Geração Y ou Millennials (com 25 a 40 anos), Geração Z (10 a 25 anos) e Geração Alpha (com até 10 anos). Refletindo esse cenário, projetos de interiores, uso das tecnologias e aspirações revelam diferentes aspectos comportamentais e necessidades.

Este também é o momento de revisitarmos pequenos prazeres, como brincar com os filhos, meditar, cuidar do jardim, tomar sol ou até mesmo aprender novas habilidades manuais. O fato é que a ideia de bem-estar pode ganhar diferentes significados neste contexto, e cada vez mais será necessário compreender essas individualidades nos lares.

 

Foto: Pexels

 

2. Desconexão para viver melhor

Desconectar será necessário, principalmente neste momento onde todos estão conectados o tempo todo. Para muitos, será preciso aprender a se desconectar, para manter mente e corpos sadios, além da própria criatividade. Isso terá consequências na decoração, estilo de alimentação e necessidade de praticar exercícios, incluindo meditação.

A busca por saúde e equilíbrio mental inclui ainda outra prioridade: ter uma boa noite de sono. Além de camas e colchões com sistemas mais ergonômicos, esse movimento sugere móveis confortáveis feitos de materiais naturais, com uma sensação agradável e charme artesanal. Em épocas de plantas abertas, a cozinha, sala de jantar e de estar se fundem para formar uma grande área de convívio. No entanto, salas de retiro e quartos ganharão conotação ainda mais privada e especial atenção nos projetos.

Arquitetos, designers e empresas também precisam considerar como ajudar na saúde mental de seus clientes, usando móveis, iluminação, paisagismo, som e acústica. Afinal, o aspecto emocional tem implicações diretas em nossa maneira de mobiliar e viver.

 

Foto: Roman Hinex

 

3. Economia sustentável e local

Não é recente o movimento que nos leva à busca constante de soluções saudáveis e por produtos que respeitem o meio ambiente. Inúmeras decisões em relação à mobilidade, alimentação, compra de móveis e vestuário, estão sendo avaliados sob o aspecto de neutralidade climática. Isso significa que os materiais naturais ganham preferência, não apenas por razões de aconchego, mas também por sua “pegada ecológica”.

Mas o futuro também tende a ser mais colaborativo e com escolhas ainda mais conscientes, refletindo valores pessoais. Ou seja, podemos esperar por novos ciclos de valorização dos produtores locais, do fazer artesanal, da pequena escala, do cuidado e do autoral. Esse desenvolvimento de um olhar consciente sobre si, sobre o outro e sobre o mundo será um componente cada vez mais importante na sociedade.

 

Foto: Pexels

 

4. Ressignificação do home-office

O home office já era um movimento presente na vida de muitos profissionais, mas à medida em que mais pessoas passaram a explorar essa possibilidade, teremos que fazer novas reflexões. Será preciso criar / adaptar espaços funcionais para operar escritórios domésticos em tempo integral – em alguns casos, com certa privacidade; ou permitir o trabalho remoto com crianças em casa.

A discussão do público x privado ganha um novo capítulo nos projetos de interiores. Isso é um desafio ainda maior em imóveis de menor metragem, onde a multifuncionalidade será uma característica importante para o mobiliário. Ergonomia, conforto e iluminação adequados são outros fatores já conhecidos e que não podem ser esquecidos.

É sempre importante lembrar que a casa segue como nosso santuário particular, onde podemos descansar e recarregar as energias após um dia de trabalho. Por isso, a configuração do espaço office não pode inutilizar ambientes da casa ou ser um ponto de interferência.

Também é importante observar tecnologias que conversam com as recentes tendências do morar. É tudo sobre você e de como as soluções, produtos ou decoração podem se ajustar, individualmente, para melhorar o bem-estar e sensação de conforto.

 

Foto: Pexels

 

Para não perder o foco

Pensando nos projetos de interiores e espaços comerciais, diversos estudiosos da área e coolhunters afirmam que as melhores estratégias estão enraizadas no compromisso de permanecer ligadas a uma ou mais realidades e aspirações fundamentais do consumidor. A maioria das aspirações para o amanhã e daqui a 20 anos, ainda serão: mais tempo; mais espaço; novas experiências; saúde e bem-estar; segurança e proteção; mais conveniência; mais flexibilidade / versatilidade; confiabilidade / durabilidade; e mais sustentabilidade.

Logo, é crucial manter essas tendências universais em mente, porque elas sempre acabam direcionando a demanda do consumidor, independentemente da geração ou do status socioeconômico.