8 de agosto , 2019

A arquitetura brasileira tem uma diversidade impressionante, mas buscamos analisar algumas das tendências presentes no trabalho de importantes nomes da cena nacional

 

É comum buscarmos referências, materiais e movimentos da arquitetura e do design no mercado europeu, mas como andam as tendências na arquitetura nacional? Apesar de algumas regionalidades – dada as proporções continentais do País –, podemos dizer que os projetos vibram na frequência das grandes cidades, privilegiando um ar criativo, aconchegante e que retrata a personalidade de seus moradores.

O Brasil, que marcou época com o movimento modernista, ao revelar nomes como Lina Bo Bardi, Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha e Roberto Burle Marx, hoje, incorpora uma agenda de temas globais. O rápido intercâmbio de informações e a evolução no comportamento da sociedade, naturalmente, exige que os novos profissionais acompanhem essas transformações.

Nem por isso, os atuais profissionais da arquitetura brasileira deixam de imprimir um estilo autêntico e de personalidade, conforme demonstram projetos de Débora Aguiar, Guilherme Torres, Gustavo Neves, João Armentano, Jóia Bergamo e Roberto Migotto. Em comum, esse time de arquitetos também integra a websérie 80 anos de paixão da Todeschini, onde compartilham parte das suas inspirações e dia a dia da profissão.

Arthur Casas, Isay Weinfeld, Marcio Kogan, Maurício Arruda e os times da FGMF Arquitetos, SuperLimão, Triplex Arquitetura e Yamagata Arquitetura são outros importantes nomes contemporâneos, para citar mais alguns dos bons profissionais da cena nacional. Em geral, eles estão sempre em busca de conforto tátil e visual, propondo ambientes experimentais, minimalistas ou sustentáveis. O ar despojado e aconchegante, com elementos pop, rústicos e industriais, além de linhas retas do modernismo, também se fazem presentes em suas linhas criativas.

 

Bem-estar, conforto e natureza

Observando mostras da Casacor pelo País e alguns projetos assinados pelos profissionais listados acima, podemos observar algumas tendências relevantes em solo nacional. São propostas e temas que vem se desenvolvendo nos últimos anos e marcam boa parte das novas soluções arquitetônicas e de interiores.

As fronteiras entre a natureza, o exterior e a vida interior estão cada vez mais tênues. Com isso, arquitetos e moradores buscam um clima zen para seus refúgios. O excesso de dispositivos e conexões digitais também gera reações contrárias e coloca em evidência projetos que ajudam as pessoas a se desconectarem e experimentar uma rotina mais emocional e próxima da natureza. A presença de jardins internos e verticais seguem em alta, especialmente para quem vive em centros urbanos.

Em Dolce Villa Todeschini, na Casacor São Paulo 2019, a arquiteta Débora Aguiar criou um refúgio atemporal em meio à natureza, repleto de memórias e aconchego. Na seleção de materiais, tecidos, fibras das mais diversas e madeiras com tonalidade off-white e bege. “Gosto de projetar espaços pensando no convívio, na circulação, na privacidade de quem habita ou trabalha, no lazer e descanso; e em soluções ecologicamente corretas – tendo plantas, árvores e flores sempre presentes nos ambientes”, conta Débora.

A busca pelo natural nos leva a outras tendências nos interiores, como o uso da madeira, fibras naturais e da cerâmica. São materiais para serem usados não só em pisos e revestimentos, mas também no mobiliário e ornamentos diversos, ampliando a “sensação de casa”. Associado à consciência ambiental e de valorização do produto nacional, esse movimento também fez crescer a preferência pelo uso de técnicas e materiais locais.

Espaços integrados, simples e requintados

As residências mais tradicionais são separadas em áreas social, íntima e de serviços. Contudo, com as novas propostas do morar e imóveis cada vez menores, cresce o interesse por espaços mais integrados, multifuncionais e que exibem peças especialmente selecionadas. Resposta a situações ideológicas, sociais ou financeiras, essa proposta faz com que os arquitetos, designers e fornecedores sejam protagonistas nesse desenvolvimento de soluções práticas e inovadoras.

Soluções de móveis planejados e tecnologias associadas à automação crescem junto com essa proposta. Neste contexto, os painéis de madeira também aparecem em diferentes modulações e desenhos como revestimentos de paredes e tetos. Diversos são os profissionais que exploram essa tendência para criar conforto, delimitar áreas sem o uso de paredes ou mesmo para criar um jogo de texturas junto com outros revestimentos cimentícios ou pedras.

O estilo industrial também surge renovado no País, incorporando a beleza do imperfeito, das irregularidades, mas trazendo um ar mais contemporâneo e com aspectos da cultura brasileira. Na paleta de cores, a arquitetura nacional ainda explora muito a simplicidade e beleza do preto, branco e cinza; adicionando pontos de verde, azul marinho e amarelo, além de alguns tons terrosos.

Analisando os trabalhos desses profissionais, a ideia de “narrativa” também se faz muito presente. Os projetos não são efêmeros e ainda que desenhados aos olhos e gosto dos clientes, percebe-se um toque de originalidade. É por isso que as referências colhidas por esses nomes, ao mergulhar em diferentes histórias e culturas, é tão pessoal e intransferível. A linha de móveis assinadas e propostas por eles é outro indicativo dessa busca pela personalização.

O arquiteto João Armentano, referência na mistura de materiais e tendências que propõem conforto, elegância e irreverência, conta que além de estética, os projetos também precisam passar energia e sentimento. “O que só é possível quando você consegue transportar a emoção para o papel, para o tridimensional e depois para a realidade. Não adianta criar um ambiente lindo, mas rígido e gelado”.

 

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