4 de maio , 2021

Bem-estar, experiência sensorial e sustentabilidade se “infiltram” na proposta de luxo, impulsionando novas oportunidades no mercado de móveis e decoração

 

 

O comportamento e as expectativas do consumidor passam por mudanças profundas. Os tempos incertos, provocados pela pandemia, deram ao movimento de bem-estar (já em expansão) um impulso ainda maior. Todos querem “viver melhor” e a casa assume um papel fundamental para essa busca de equilíbrio físico e mental, com os projetos de interiores caminhando em uma nova direção: o luxo aconchegante e refinado.

Hygge, Japandi, Lagom, Minimalismo, Scandi e Vintage são alguns dos movimentos e tendências que há tempos oferecem muita inspiração para que a casa seja esse local de abrigo, aconchego e autoexpressão. Mas o que exatamente está por trás dessa nova tendência?

A ênfase em materiais, aplicações e conexões emocionais que trazem detalhes sutis e ao mesmo tempo marcantes.

 

 

Embora os produtos sejam luxuosos em estilo e design, essa proposta combina ainda uma maior consciência ambiental sobre a origem dos materiais, detalhes artesanais (principalmente os que valorizam histórias locais) e a busca por um mobiliário atemporal – projetados para ambientes familiares ativos.

É claro que as percepções de luxo e bem-estar variam e podem significar algo diferente para cada indivíduo, mas temos uma estética mais diversificada e contextual para o design de produtos com alto valor agregado.

As pessoas estão cada vez menos focadas em seguir uma tendência da estação, ao mesmo tempo em que vemos um amplo interesse na construção de santuários em casa e em estabelecer uma vida voltada para o bem-estar. Aliás, diversas consultorias e agências de tendências já apontam a “Nova Economia do Cuidado” como um dos campos mais promissores, já que a proposta de bem-estar se expandiu para mais setores do que podemos imaginar

 

 

 

Bem-estar é o novo luxo

As pessoas almejam ter o máximo de harmonia e conforto em todos os aspectos da sua vida. Tudo isso faz parte de uma busca por um tipo ideal de existência, de beleza, sensualidade, qualidade, elegância, e que traduz inspirações profundamente humanas. É tudo uma questão de ser feliz. Por isso, a escolha do mobiliário e dos acabamentos que compõem cada ambiente é uma parte essencial na criação deste sentimento – permitindo um alto grau de interpretações e personalização.

Gilles Lipovetsky, filósofo francês autor de “O império do efêmero” e “O luxo eterno”, aponta ainda que “a relação dos consumidores é cada vez mais uma relação emocional com as marcas que os fazem sonhar”.

 

 

Ao propor esse “novo luxo”, as marcas precisam ter uma capacidade inerente de fazer conexões emocionais na mente das pessoas, com produtos e serviços adaptados às crescentes considerações de bem-estar (e demais aspirações) de seus consumidores.

Trazendo isso para a realidade do morar, o Pinterest Predicts vem reforçando esse comportamento nos últimos três anos. Segundo a plataforma social, marcas que desejam ser (ou se manter) relevantes devem inspirar as pessoas a transformar seus lares, além de recomendar novas descobertas de alimentação, beleza, entretenimento, moda, saúde e até viagens.

 

 

 

Móveis de qualidade premium com charme natural

Todo esse movimento está desempenhando um papel fundamental na indústria de móveis, fazendo com que os materiais e acabamentos ocupem papel de destaque nesta interpretação do luxo aconchegante e refinado. Com isso, surgem novas oportunidades de engajamento com os consumidores, seja contribuindo de forma significativa para seus estilos de vida ou impulsionando novos valores.

Segundo a WGSN, empresa de previsão em tendências de consumo e design, “qualidade, materialidade e toque humano estão no coração desta direção de design”. Técnicas de tecelagem e cestaria, detalhes significativos de artesanato, produtos com cor, textura e materiais reciclados de maneira refinada são perfeitos para criar ambientes charmosos, capazes de sobreviver a diferentes tendências.

O próprio mercado de luxo há tempos vem flertando com a sustentabilidade e promovendo conceitos de artesanato e atemporalidade em diversos setores e produtos. Para o mobiliário, essa conexão significa ainda mais oportunidades para criar peças de qualidade, elegantes e singulares.

 

 

Em busca do equilíbrio certo

As redes sociais levaram muitos a pensar que as tendências de cuidado pessoal se resumem a banhos de espuma relaxantes e máscaras faciais luxuosas, ou entrar em um aplicativo de meditação. Mas esse é um processo contínuo que abrange todos os aspectos do nosso estilo de vida, desde a decoração da casa aos hábitos de sono.

E, assim, a seleção de matérias-primas, texturas, luzes e móveis de alta qualidade seguem ganhando importância nos projetos, equilibrando design, simplicidade e acolhimento.

É possível ver diversos dormitórios, por exemplo, que mais parecem quartos de hotel de luxo, já que as pessoas anseiam por “retiros” na área mais sagrada da casa. Como resultado, os clientes estão investindo em designs atemporais, roupas de cama luxuosas e têxteis aconchegantes.

 

 

O conforto visual e a sensação transmitida por cada ambiente da casa seguem ganhando relevância. Logo, o vidro ressurge como um grande aliado, capaz de proporcionar contrastes com outras peças e criar uma verdadeira ilusão de ótica, deixando o ambiente sofisticado e “clean”. O matelassê, marca registrada da alta costura francesa, por exemplo, pode hoje ser facilmente aplicado ao mobiliário – proporcionando um acabamento refinado, além de conforto visual e tátil.

Para projetos com inspiração natural, superfícies de Dekton e Consentino e painéis de madeira garantem uma infinidade de possibilidades com design autêntico e sustentável. A exemplo das TVs de borda infinita, também vemos acabamentos com perfis discretos, contornando o móvel com elegância e garantindo ainda mais destaque aos desenhos e revestimentos com texturas.

Da mesma forma, couro, linho, lã e veludo seguem comunicando calor natural e autenticidade aos ambientes. Na paleta de cores atemporal e luxuosa, prevalece a segurança dos tons neutros e suaves de cinza, brancos aquecidos, bege, terracota delicada e verde oliva.

 

 

Toda essa abordagem se reflete ainda no desenvolvimento de móveis e revestimentos multifunção. Antes, atribuídos a uma determinada divisão ou ambiente da casa, as novas coleções (e mescla de estilos) permitem que diversos produtos possam decorar ou “transitar” pela casa sem comprometer a harmonia, sempre em busca de equilíbrio.

Afinal, a casa multifuncional é palco para as principais atividades do nosso cotidiano: as reuniões de segunda-feira, uma aula de ginástica ou da escola, o almoço da família, mas também espaço de descanso e entretenimento. Melhor ainda se esse resultado for obtido em um contexto de luxo aconchegante, moderno e sustentável.