29 de outubro , 2020

Todeschini entrevista a doutora Thais Lopes Caldeira, da Clínica Pró-Mulher, para esclarecer as principais dúvidas sobre a doença

Diretora Técnica Médica da Clínica Pró-Mulher, Thais Lopes Caldeira

 

O movimento internacional de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, popularmente conhecido como Outubro Rosa, surgiu nos EUA, na década de 80, com o movimento Corrida pela Cura.

Hoje, milhares de eventos e ações em prol da causa são realizados em todo o mundo para orientação e arrecadação de dinheiro destinado ao tratamento e pesquisas. E até os grandes monumentos históricos e turísticos adotam uma iluminação cor-de-rosa em homenagem ao movimento, como a Torre Eiffel (em Paris), o Empire State Building (em Nova York) e o Cristo Redentor (no Rio de Janeiro).

No entanto, mesmo sendo uma preocupação antiga, a incidência do câncer de mama no Brasil vem aumentando na população feminina. Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), estão previstos para 2020 mais de 66 mil casos novos, com mais de 16 mil mortes associadas.

A maneira mais eficaz de combater a doença é por meio da prevenção. Quanto mais precocemente for detectada, menos agressiva será a terapia e mais positivos serão os resultados do tratamento. Os dados apontam que nos casos detectados ainda nos estágios iniciais a taxa de cura é de 98%.

Pensando nisso, a Todeschini convidou a Diretora Técnica Médica da Clínica Pró-Mulher, Thais Lopes Caldeira, para responder as principais dúvidas sobre o câncer de mama e como realizar a detecção precoce. Confira:

 

Quais os principais cuidados no dia a dia com as mamas?

É muito importante as mulheres sempre observarem e palparem suas mamas no banho ou diante do espelho, tentando valorizar a descoberta casual de alguma alteração como nódulos, vermelhidão ou retrações. Vale a pena ressaltar que o câncer de mama também pode acometer os homens (cerca de 1% dos casos).

 

De quanto em quanto tempo deve ser feito o autoexame? E o exame profissional?

O autoexame deve ser feito uma vez por mês, de preferência nos primeiros dias após a menstruação (pois as mamas estão mais flácidas e indolores) ou em uma data fixa nas mulheres que já não menstruam. Ele é indicado para todas a partir de 20 anos, principalmente após os 50, idade a partir da qual a incidência do câncer de mama é maior. A mamografia, exame de rastreamento para o câncer de mama, deve ser feita anualmente a partir dos 40 anos.

Nos casos em que a mulher se enquadra na categoria de alto risco, o acompanhamento médico e o exame deve ser antecipado baseado na história familiar e, complementada quando necessário, com uso de ressonância magnética e ultrassom de mamas.

 

Quais os principais sintomas ou sinais?

O principal sintoma é o aparecimento de um nódulo palpável, geralmente indolor, endurecido e irregular. Outros sinais do câncer de mama são: retração da pele e do mamilo, secreção papilar, edema local (semelhante à casca de laranja), vermelhidão, ulceração e presença de linfonodos (gânglios) axilares palpáveis. Normalmente o câncer de mama é indolor, embora isso não seja uma regra.

 

Como é feito o tratamento?

Quando uma lesão é considerada suspeita pelo exame de imagem ou exame clínico, é fundamental a realização da biópsia, que vai informar o tipo do câncer e as características anatomopatológicas e imunohistoquímicas direcionando o tratamento. Há algumas modalidades terapêuticas que podem ser utilizadas isoladas ou em conjunto, como cirurgia, radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia. A escolha do tratamento depende do tipo de tumor, da idade da paciente, entre outros fatores.

 

Fator genético é um sinal de alerta?

Sim. A hereditariedade é responsável por cerca de 5 a 10% dos cânceres de mamas; nesses casos a mulher herda do pai ou da mãe alguma mutação associada a este tipo de doença. Caso a pessoa tenha a mutação, a chance de desenvolvê-lo durante a vida é muito maior do que na população em geral. As mutações mais frequentes são nos genes BRCA1 e BRCA2. Uma mulher que tenha uma dessas mutações tem probabilidade de 70% em desenvolver a doença e, geralmente, esse tipo de câncer se manifesta em mulheres mais jovens que o habitual.

 

Existe relação entre o modo de vida com o surgimento da doença?

Sim. A maioria dos casos de câncer de mama ocorre em mulheres que não apresentam histórico familiar da doença, o que corresponde a 75-80% dos casos. Nessas pacientes há uma forte interação entre fatores ambientais, sócio demográficos e reprodutivos, idade, obesidade, uso de álcool, tabagismo e uso de terapia hormonal.

Ter uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos, reduzir o stress, controlar o peso, evitar tabagismo e álcool em excesso são práticas de vida que podem diminuir as chances de desenvolvimento do câncer de mama. A adoção de um estilo de vida mais saudável e a realização periódica de exames ainda são as principais armas no combate à doença.