17 de novembro , 2019

Nicho dos micro-apartamentos (unidades de até 40 m²) permanece aquecido e os profissionais de interiores podem potencializar a qualidade de vida desses moradores

 

 

O conceito de “menos é mais” chegou ao mercado imobiliário no Brasil. O lançamento de empreendimentos com apartamentos que vão de 15 a 45 metros quadrados toma conta de grandes cidades – em especial, nos bairros mais centrais e valorizados. A denominação é diversa – loft, studio, kitnet ou apartamento de um dormitório –, mas tudo indica que essa tendência veio para ficar e atender novas demandas da sociedade.

Segundo os dados do Sindicato de Habitação (Secovi-SP), seis em cada 10 novos apartamentos vendidos no estado de São Paulo são menores que 45 m². Esse dado fica ainda mais expressivo quando observada a taxa de crescimento das vendas desses imóveis compactos nos últimos quatro anos. Ela mais que dobrou, saindo de 28%, em 2014, para 60%, em 2018.

A premissa para esses imóveis compactos é morar bem e com qualidade de vida, não importa o tamanho da residência.

Com áreas úteis reduzidas, isso exige que arquitetos e profissionais de interiores criem espaços flexíveis e eficientes para a vida do morador – principalmente em relação ao tipo de layout e mobiliário. Considerando os empreendimentos de coliving (compartilhamento), há ainda o desafio de projetar espaços de socialização, como lavanderia, academia, escritório, lounge e até mesmo a cozinha.

 

Imóveis compactos e desejados

Os mais interessados nesse tipo de imóvel costumam ser jovens empresários, recém-casados que optaram em não ter filhos, divorciados, solteiros, estudantes e trabalhadores de outras cidades. Em geral, essas pessoas querem comodidade e facilidade na hora de chegar em casa, mas alguns fatores contribuem para esse cenário dos imóveis compactos. Listamos alguns:

. Acentuado processo de urbanização e regras de zoneamento, delimitando o tipo de construção e a altura dos prédios.

. Valorização da mobilidade e escassez de terrenos em regiões próximas a áreas de trabalho, meios de transporte e opções de lazer. Em cidades como São Paulo, Buenos Aires, Bogotá ou Cidade do México, as pessoas podem passar facilmente três horas por dia se deslocando de casa para o trabalho.

. Foco comercial de incorporadoras e oportunidades de rendimento para investidores.

. Novos estilos de vida, que acompanham os conceitos de coliving (casa e compartilhamento) e valorização das experiências (não mais da posse).

. Facilidades oferecidas pelos novos condomínios, com espaços coletivos e de lazer completos, além de áreas de trabalho (sem necessariamente ocupar um espaço dentro do apartamento).

 

A importância de identificar necessidades

Assim como a tecnologia tem transformado a vida das pessoas, os apartamentos compactos também estão influenciando na maneira como as pessoas decoram seus ambientes. Afinal, ao abrir mão de metros quadrados privativos, esse público incorpora o bem-estar como mantra e exige praticidade. Isso sem contar a oferta de serviços no empreendimento ou mesmo na região do imóvel.

O arquiteto Guto Requena diz que a onda dos compactos vem ao encontro de uma mudança de comportamento. Hoje, as pessoas trocam de casa com mais frequência e acumulam menos coisas. A praticidade do viver, o desapego em não acumular tantos itens em casa e o conceito do compartilhar acabam fomentando o mercado de apartamentos compactos.

Contudo, o autor do livro “Habitar Híbrido: Subjetividades e Arquitetura do Lar na Era Digital”, lançado em setembro, critica como alguns lançamentos vêm sendo entregues. “As diferentes atividades do morar, como comer, dormir ou namorar são prejudicadas pela configuração dos compactos. Os moradores têm de fazer tudo no mesmo espaço, sem que o local esteja preparado para isso”, diz Requena.

 

Mobiliário que integra, mas também decora

É aqui que entra a importância dos “cantinhos” e móveis planejados, sendo possível lançar mão de soluções que ajudam a passar a sensação de amplitude, ou mesmo de multifunção dos espaços. Um bom exemplo é o Sistema Octo, da Todeschini. Com design minimalista, o sistema reforça o lifestyle de loft e permite transformar ambientes cobrindo toda a área funcional ou de cozinha, além de deixar tudo organizado. As portas formam grandes vãos que se recolhem na profundidade do móvel e o ambiente de serviço só ganha protagonismo quando necessário.

O sistema Easy também facilita a criação de closets abertos e que se integram à decoração. Este conceito deixa as araras de roupas à mostra, mas para facilitar a organização, ele permite a fixação de perfis metálicos com sistemas ocultos nos painéis, criando prateleiras e gavetas flutuantes. O armário Síntese, que une vidro e acabamentos metálicos, é outra opção que pode servir como divisória entre a área íntima e o closet, ou estar e cozinha.

Estilos de vida minimalista

O modo de vida minimalista, adotando uma vida funcional e sustentável, também é cada vez mais popular, especialmente entre os compradores mais jovens. A era do excedente e do consumismo intenso caminha para uma desaceleração, pois as pessoas fazem escolhas éticas, ambientais ou financeiras para reduzir o consumo.

No caso do mobiliário planejado, preza-se pelo conforto, praticidade e, em muitos casos, até um certo requinte – dada a necessidade de decorar harmoniosamente a pequena área útil desses empreendimentos. Com espaços menores e integrados, não é necessário ter uma rotina intensa de organização e limpeza. Em pouco tempo você consegue colocar tudo em ordem, ampliando ainda o sentimento de bem-estar.

 

Conteúdo Exclusivo Habitus Brasil