12 de junho , 2020

Espiritualidade, ciência e tecnologia se fundem à medida que a indústria explora o mercado de bem-estar, sono e alimentação

 

Divulgação Samsung

 

Entre consumidores e especialistas, a definição moderna de saúde está se expandindo além da dieta e da aptidão física. É consenso de que precisamos incluir cada vez mais o bem-estar mental e emocional nesta lista. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o burnout como uma condição diagnosticável e decretou que o estresse é a epidemia de saúde do século XXI.

Segundo o Ministério da Saúde, a Síndrome de Burnout é um estado físico, emocional e mental de exaustão extrema, resultado do acúmulo excessivo de situações de trabalho que são emocionalmente exigentes e/ou estressantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. O termo vem do idioma inglês: burn (queimar) out (por inteiro).

Mas o que a maior feira de tecnologia do mundo, a Consumer Electronics Show (CES) nos revela sobre este tema? E por que devemos dar importância para essa discussão?

Este ano, na CES (ocorrida em Janeiro de 2020), uma série de produtos refletiu essa mudança no entendimento do bem-estar. Os mais novos dispositivos de saúde pessoal que chegam ao mercado estão indo além da aptidão física, oferecendo biofeedback (ferramenta terapêutica que permite ao indivíduo ter controle de várias funções do seu corpo, que antes eram involuntárias), para otimizar a capacidade mental e emocional.

 

Crédito: Pexels

 

As próprias mudanças que estamos acompanhando na configuração dos ambientes de trabalho e interiores ajudam a entender a importância deste tema. O crescimento da biofilia e coliving também são reflexos diretos e indiretos de um mundo cada vez mais tecnológico e que precisa estimular relações pessoais, contato com a natureza e áreas de descompressão. É que o Burnout está muito associado ao uso excessivo da tecnologia, que oferece muitas facilidades, mas pode trazer consequências como tensão emocional, frustração ou depressão.

 

Divulgação Pexels

 

Mindfulness e bem-estar

Realizada em Las Vegas (EUA), todos os anos no mês de janeiro, milhares de inovações tecnológicas são apresentadas ao mundo com o mesmo objetivo: revolucionar os mercados e, talvez, nossas vidas.

É natural que as principais inovações da CES girem em torno da inteligência artificial (AI), da velocidade dos celulares 5G, de aparelhos com telas dobráveis, da tecnologia de vigilância, automação residencial, dos audiovisuais em resolução 8K e da robótica. Mas a temática da saúde ganhou atenção especial nesta edição, incluindo uma área de exposição dedicada à tecnologia e bem-estar.

“O bem-estar mental está na base de todos os nossos outros hábitos saudáveis ​​e acho que os consumidores estão realmente começando a perceber isso”, avalia Sarah McDevitt, CEO e fundadora da Core. Presente na CES 2020, a empresa lançou um instrutor de meditação que incorpora a medição biométrica para uma prática de meditação mais eficaz. O aplicativo leva os usuários a escolher meditações guiadas, enquanto um pequeno dispositivo portátil mede a frequência cardíaca e fornece feedback háptico para incentivar a respiração constante. Após cada sessão, os usuários podem visualizar relatórios pessoais para entender melhor sua resposta fisiológica à meditação e quais técnicas funcionam melhor para sua composição biológica exclusiva.

 

Crédito: Divulgação Core

 

Já a Entertech lançou uma faixa de meditação de biossensibilidade, que mede ondas cerebrais e batimentos cardíacos para melhorar a meditação, oferecendo uma visão dos níveis de estresse, relaxamento e atenção.

E dezenas de outras soluções para meditação imersiva foram apresentadas, algumas guiadas por realidade virtual, para tornar essa prática mais imersiva. A avaliação é que meditar é um hábito difícil de construir e uma prática ainda mais difícil de manter. Nesse ponto, a tecnologia pode ser um importante aliado para o gerenciamento da saúde.

 

 

Tecnologia do sono e alimentação na CES 2020

O evento também foi palco para uma centena de outros produtos que prometem ajuda para adormecer, prometendo inclusive rastrear nosso sono e até a treinar nosso cérebro para dormir melhor. Há uma infinidade de aplicativos e marcas que estão movimentando esse setor de tecnologia do sono, que inclui colchões inteligentes e sensores de cabeceira.

É importante destacar um ponto da tecnologia que conversa com as recentes tendências do morar. É tudo sobre você e de como as soluções, produtos ou decoração podem se ajustar, individualmente, para melhorar o bem-estar e sensação de conforto.

A cama inteligente Climate360 da Sleep Number, anunciada na CES, usa controle de temperatura personalizado para ajudar o usuário a adormecer mais rápido e a dormir à noite toda. Para isso, promete regular a temperatura de cada lado, aquecendo e esfriando com base no ciclo natural, para diminuir a pressão sanguínea e manter o corpo descansado.

 

Crédito: Divulgação LG

 

 

O campo da alimentação orgânica também parece promissor para a horticultura indoor, auxiliando consumidores que buscam uma forma mais saudável de se alimentar; e até de produzir a própria comida (mesmo que não tenham tempo ou aptidão para se dedicar a esse processo). A LG, por exemplo, expôs um eletrodoméstico de cultivo indoor com controles avançados de iluminação, temperatura e água.

Nada indica que estamos próximos de viver como os Jetsons (animação que mostra uma família morando em um futuro automatizado), mas há tecnologias que podem nos prestar grande auxílio. Obviamente é sempre importante consultar um médico ou outro profissional de saúde qualificado sobre qualquer dúvida com objetivos de saúde, mas nunca é demais lembrar que uma alimentação equilibrada, interação social e atividades físicas, além de ambientes bem projetados, também são importantes para estimular a sensação diária de bem-estar.

*Texto por Habitus Brasil