28 de julho , 2020

Diante das ações de isolamento social, a arte tem sido utilizada para incentivar novos aprendizados e estimular o bem-estar

 

Seu feed nas redes sociais, em algum momento da pandemia da Covid-19, certamente exibiu fotos de pães, projetos de costura, jardinagem, musicais, desenhos ou outras obras de arte. Mais do que pessoas agindo para ocupar seu tempo durante o isolamento social, as ações criativas podem oferecer muitos benefícios contra o estresse e a ansiedade.

Claramente, muitos dos desafios que enfrentamos não serão curados pintando, assando ou brincando com argila. No entanto, investir tempo fazendo algo que você gosta e buscar uma saída criativa para ser expressar pode ser um alívio bem-vindo para gerenciar a saúde mental e ainda obter novos aprendizados.

 

Arte como inspiração e integração social

Com as ações de isolamento, museus de todo o mundo tiveram que repensar a forma de apresentar a arte para o público e passaram a estimular visitas online. Mas além de observar, aprender e conhecer algo novo, também podemos inventar e nos divertir com a arte.

Foi o que levou a holandesa Anneloes Officier a propor um desafio criativo a colegas depois que o país adotou novas medidas de distanciamento social: recriar pinturas em casa. “Moça com Brinco de Pérola”, de Johannes Vermeer, foi a obra escolhida por Anneloes e contou com um tapete, um pano de prato e um bulbo de alho. O sucesso instantâneo a fez criar uma nova conta no Instagram, para o projeto Tussen Kunst & Quarantaine, que significa “Entre Arte & Quarentena”.

 

Anneloes Officier e sua releitura da obra “Moça com Brinco de Pérola”

 

O Rijksmuseum (Amsterdã), o MET (Nova York), o Louvre (Paris) e The Hermitage (São Petersburgo), entre muitos outros museus, se juntaram ao desafio e passaram a compartilhar a conta e algumas das postagens. O Museu Getty publica compilações com algumas obras que fazem parte de sua coleção. O Museu Van Gogh também publicou no seu Instagram uma seleção de imagens que fazem referência ao famoso pintor holandês. Desde então, os entusiastas criativos enviam mensagens de inúmeros países, incluindo o Brasil.

Atualmente, a conta do Instagram reúne mais de 281 mil seguidores e cerca de 700 publicações – embora a conta já tenha recebido mais de 60 mil reinterpretações. Em uma de suas postagens, Anneloes conta que é preciso fazer uma triagem e evita repetir “obras”. Para participar, basta escolher uma obra de arte, utilizar três itens que você tem em casa e compartilhar com o perfil @tussenkunstenquarantine. Não é permitido utilizar efeitos ou Photoshop.

Para quem prefere navegar pelo Facebook, é possível encontrar por lá outra iniciativa semelhante: no grupo Izoizolyacia (algo como “arte no isolamento”), fundado por amigos russos.

 

Maria Luiza na releitura da obra “Frida Kahlo no Banco Branco”. Foto: Malu Castilho

 

Arte é um entretenimento essencial

No Brasil, o Canal Arte 1 também estimulou o desafio das pessoas virarem arte, compartilhando dezenas de releituras de autores brasileiros e internacionais. Entre eles, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Almeida Júnior, Georgina de Albuquerque, Leonardo da Vinci, Van Gogh, Nickolas Muray e até uma obra feita recentemente pelo artista britânico Banksy.

Confira as 10 releituras que mais se destacaram na campanha #virearte. Entre as obras é possível ver releituras de Cinco Moças de Guaratinguetá (Di Cavalcanti), Abaporu (Tarsila do Amaral), A Bebedora de Absinto (Pablo Picasso) e Frida Kahlo no Banco Branco (Nickolas Muray).

Esse movimento mostra que a criatividade e as manifestações artísticas não estão condicionadas ao conhecimento de técnicas de criação, e que é possível aprender arte de outras formas.

 

Foto: Google Imagens

 

Ricardo Darín, figura importante do cinema argentino, contextualizou bem o papel das artes e do entretenimento durante essa quarentena. Mesmo que a profissão do ator não seja ‘considerada essencial’, Darín reforça que ela é paradoxalmente importantíssima: “Estamos todos em casa e dependemos em grande medida do que fizeram os artistas. Não só os atores, mas os músicos, pintores, a literatura…”.

Para o ator, a educação e a cultura também são fundamentais para o enfrentamento das complexas questões mentais e emocionais que surgem tanto com a hiperconvivência quanto com a falta de companhia. Aplausos!